Fim da escala 6×1 e falta de profissionais pressionam bares e restaurantes

Acacio Sacerdote

Em meio ao debate nacional sobre o fim da escala 6×1 e à crescente dificuldade de contratação no setor de alimentação fora do lar, empresas de bares e restaurantes têm buscado alternativas para enfrentar um dos maiores desafios da atualidade: a falta de mão de obra qualificada.

Em Salvador, onde o turismo, a gastronomia e o entretenimento movimentam grande parte da economia, a disputa por profissionais se intensificou nos últimos anos. Foi de olho nesse cenário que nasceu a Food RH, solução focada em recrutamento, seleção e gestão de pessoas do Grupo Food Qualy, consultoria voltada para negócios de alimentação. Essa nova solução é resultado da união entre a expertise do Grupo Food Qualy no segmento de food service e da Recriarh, empresa especializada em gestão de pessoas, tendo à frente como CEO a especialista em RH Estratégico e Gestão de pessoas Fabiola Reis.

“O desafio atual vai muito além de preencher vagas. As empresas precisam entender que a atração e a retenção de talentos passam por cultura organizacional, desenvolvimento de lideranças e qualidade das relações de trabalho. Os profissionais estão mais criteriosos na hora de escolher onde querem atuar, e isso exige uma mudança de postura dos empregadores”, afirma Fabiola.

A iniciativa surge em um momento considerado crítico para o setor. Dados recentes da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) apontam que cerca de 88% das empresas têm dificuldade para preencher vagas e que o segmento acumula aproximadamente 500 mil postos de trabalho em aberto no país. A entidade também alerta que mudanças nas jornadas de trabalho e o debate sobre o fim da escala 6×1 ampliam a necessidade de planejamento e reorganização das equipes.

“Historicamente, o food service enfrenta desafios como jornadas intensas, alta rotatividade e dificuldade de formação de lideranças. Hoje, porém, esses temas deixaram de ser apenas questões operacionais e passaram a impactar diretamente a competitividade e a sustentabilidade dos negócios”, destaca Acácio Sacerdote, CEO do Grupo Food Qualy. De acordo com ele, muitos estabelecimentos ainda enfrentam problemas como alta rotatividade, falta de padronização nos processos seletivos e dificuldade para encontrar profissionais preparados para funções estratégicas, como cozinheiros, gerentes, maitres e líderes de atendimento.

A discussão ganhou ainda mais relevância diante das mudanças nas relações de trabalho. A Abrasel estima que uma eventual substituição obrigatória da escala 6×1 por modelos mais reduzidos poderia elevar os custos de mão de obra em cerca de 20% em bares e restaurantes, aumentando a pressão sobre contratações e retenção de talentos.

Fabiola Reis

Para Sacerdote, independentemente do formato que venha a ser adotado, o setor precisará investir cada vez mais em gestão de pessoas. “O empresário que continuar enxergando o RH apenas como um departamento burocrático vai ficar para trás. Hoje, a área de pessoas é estratégica para a sustentabilidade do negócio, principalmente em segmentos intensivos em mão de obra como bares, restaurantes, cafeterias e hotéis”, destaca.

Entre os serviços oferecidos pela Food RH estão Análise de Necessidades e Elaboração do Perfil, Divulgação de Vagas, Triagem e Seleção de Currículos, Entrevistas e Avaliação de Candidatos e Suporte na Negociação e Contratação. A expectativa é atender desde pequenos negócios independentes até grupos gastronômicos e redes de alimentação que enfrentam dificuldades para montar e manter equipes qualificadas.