Ansiedade e depressão: saiba como a atividade física pode impactar positivamente a saúde mental

Felipe Chokito - Créditos - Junior Damasceno

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmam que mais de 1 bilhão de pessoas vivem com transtornos mentais em todo o mundo. Entre eles, a ansiedade e a depressão são os mais prevalentes. É comum que, nessas condições, muitos pacientes fiquem isolados, apresentem dificuldades na execução de tarefas ou não tenham ânimo para praticar exercícios físicos. No entanto, é justamente a atividade física que pode contribuir de forma potencial para a melhoria do quadro de quem lida com essas condições.

A psicóloga Fabiane Veiromber explica que a saúde mental é diretamente impactada pelo estilo de vida que adotamos. Dessa forma, a atividade física surge como uma aliada importante, já que ajuda a regular o humor, melhora a qualidade do sono, a disposição e a percepção que a pessoa tem de si mesma.

“Do ponto de vista psicológico, existe também um aspecto comportamental muito importante: quando uma pessoa consegue se movimentar, realizar uma atividade e perceber que foi capaz de fazer aquilo, ela pode experimentar uma sensação maior de competência e autonomia”, destaca a psicóloga.

Porém, Fabiane aponta que, para os pacientes que enfrentam depressão e/ou ansiedade, o ato de movimentar o corpo pode ser muito desafiador, porque os transtornos afetam diretamente a motivação e o comportamento. Na depressão, por exemplo, a redução do interesse e do prazer por coisas de que gostava antes (fenômeno conhecido como anedonia) pode deixar qualquer ação mais custosa e trabalhosa.

A psicóloga sinaliza que é importante não colocar o sedentarismo ou o isolamento como causa única da ansiedade ou da depressão, já que a saúde mental é multifatorial e complexa. Porém, esses fatores podem, sim, contribuir para a manutenção de um ciclo de sofrimento, a redução de fatores de proteção, a baixa autoestima, o sentimento de solidão, a escassez de vivências prazerosas e a dificuldade para manter uma rotina ativa.

Mas, apesar de as práticas esportivas serem essenciais para uma vida com mais qualidade, é fundamental não fazer delas um motivo de cobrança excessiva. “Estamos vivendo uma época de aumento no cuidado e na realização de atividade física, mas, por causa da busca por performance e dos altos padrões de exigência, o exercício pode deixar de ser uma ferramenta de cuidado e virar mais uma obrigação baseada em cobrança, comparação ou perfeccionismo. Uma forma de evitar isso é reduzir as comparações, alinhando metas e objetivos, diminuindo a necessidade de performance e entendendo qual é o seu objetivo real nesse contexto”, alerta Fabiane.

Entendendo bem a importância do movimento para a saúde e o bem-estar, o profissional de educação física Felipe Chokito esclarece o que acontece quando as práticas esportivas são inseridas no dia a dia: “Quando movimentamos o corpo, ativamos diferentes sistemas do organismo. A atividade física favorece a circulação sanguínea, melhora a oxigenação, contribui para a regulação do sono e estimula a liberação de substâncias relacionadas à sensação de prazer, disposição e bem-estar”.

Ainda segundo Chokito, além dos efeitos fisiológicos, o exercício ajuda a criar uma rotina, melhora a autoestima, proporciona sensação de conquista e pode favorecer a convivência social. Tudo isso contribui para reduzir o estresse e aliviar sintomas de ansiedade e depressão.

O profissional ressalta que, mesmo sem ânimo, triste ou ansioso, é necessário dar o primeiro passo, e destaca que a pessoa não deve esperar a motivação aparecer para começar. Muitas vezes, ela surge só depois que o movimento é iniciado.

“A orientação é começar com metas pequenas: levantar-se, trocar de roupa, sair de casa e caminhar por cinco ou dez minutos. Escolher uma atividade agradável, convidar alguém de confiança e deixar tudo preparado com antecedência também são condutas que ajudam muito. Nos dias mais difíceis, fazer um pouco já é uma vitória. O importante é evitar comparações e respeitar o próprio momento”, conclui Chokito.