Lei amplia acesso à reconstrução mamária, mas informação ainda é desafio

Ao longo do tratamento do câncer de mama, uma decisão importante nem sempre chega de forma clara para todas as pacientes: a possibilidade da reconstrução mamária. Embora seja um direito garantido por lei e parte do cuidado oncológico, o tema ainda é, muitas vezes, percebido como uma etapa secundária ou ligada apenas à estética.
A reconstrução mamária é um direito garantido por lei no Brasil e deve ser compreendida como parte integrante do tratamento do câncer de mama e não como uma etapa opcional ou exclusivamente estética.

Nos últimos anos, esse direito também foi ampliado. A legislação passou a garantir a oferta da reconstrução mamária pelo Sistema Único de Saúde (SUS) não apenas em casos oncológicos, mas também em outras situações que envolvem a retirada da mama, reforçando o acesso ao procedimento como parte do cuidado à saúde da mulher.

Ainda existe uma percepção limitada sobre o procedimento, muitas vezes associado apenas à aparência. No entanto, especialistas do Grupo Hera reforçam que a reconstrução mamária tem impacto direto na autoestima e na recuperação emocional das pacientes após a mastectomia, sendo parte relevante do cuidado integral. “Mais do que uma questão estética, a reconstrução mamária faz parte do tratamento. Ela impacta diretamente na forma como a paciente se reconhece após a cirurgia e contribui para a recuperação emocional ao longo de todo o processo”, afirma a mastologista Larissa Bitencourt.

Por isso, quando indicada, essa possibilidade deve ser apresentada e discutida com a paciente desde o momento do diagnóstico, permitindo que ela participe ativamente das decisões sobre seu tratamento. A cirurgia pode ser realizada de forma imediata, no mesmo momento da retirada da mama, ou tardia, até anos após a conclusão do tratamento. A definição do melhor momento depende de uma avaliação clínica individualizada.

Entre os fatores considerados estão o tipo e o estágio do tumor, as condições gerais de saúde da paciente e o planejamento terapêutico como um todo. As opções incluem o uso de próteses de silicone ou a reconstrução com tecidos do próprio corpo, sempre com indicação personalizada. Uma das dúvidas mais comuns entre as pacientes diz respeito à possibilidade de realizar a reconstrução no mesmo tempo cirúrgico da retirada da mama e à segurança dessa abordagem.

Segundo a mastologista Marinalva Medina, quando bem indicada, a reconstrução imediata é considerada segura do ponto de vista oncológico. “Estudos e diretrizes internacionais mostram que ela não aumenta o risco de recidiva nem piora a sobrevida. No entanto, essa decisão não é automática, ela depende da extensão da doença, das condições clínicas da paciente e da experiência da equipe.”

Quando esses critérios são respeitados, a reconstrução imediata também pode trazer benefícios como a redução do número de cirurgias e melhores resultados estéticos, sem comprometer o tratamento do câncer. Mais do que a reconstituição física, a reconstrução mamária pode contribuir para que a paciente se reconecte com o próprio corpo, retome sua identidade e enfrente o processo de tratamento com mais segurança e bem-estar.

Para as pacientes que enfrentam a retirada da mama, a principal orientação é clara: buscar informação e não atravessar esse processo sozinha.

“A retirada da mama não significa, necessariamente, uma perda definitiva. Em muitos casos, é possível reconstruir na mesma cirurgia e, mesmo quando isso não é indicado naquele momento, ainda existe a possibilidade de reconstrução depois. O mais importante é que a paciente entenda que a reconstrução não é um detalhe estético, ela faz parte do tratamento e precisa ser discutida com uma equipe preparada”, orienta Larissa Bitencourt.

O Grupo Hera reforça que o acesso à informação é fundamental para que esse direito seja efetivamente garantido. O acompanhamento especializado e multidisciplinar permite que cada paciente compreenda suas opções e participe de forma ativa e consciente ao longo de toda a jornada de cuidado.