Não temos certezas, mas levantamos hipóteses, hipóteses otimistas a partir da nossa vivência na realidade da escola.

As crianças e os jovens que estão vivenciando aulas remotas levarão um ganho significativo em autonomia e em procedimentos de estudante. Sabemos que as crianças menores, cujas famílias estão disponíveis, estão contando com suporte em casa. Ainda assim, estão desenvolvendo novas habilidades.

As escolas se aliaram à tecnologia, as aulas remotas têm sido uma saída para manter o vínculo das crianças e dos jovens com a escola, com a aprendizagem formal. Com aulas remotas, online, percebemos que o conteúdo pode até ser trabalhado à distância. É possível ter acesso à Geografia, História, Matemática…

A função social da escola permanece a mesma – ser ponte entre as gerações. Cabe à escola levar às novas gerações o conhecimento produzido pela humanidade. Mas não se resume a isso. A escola será sempre espaço de troca, espaço de vivência, espaço de experiência. Este lugar não será substituído.

Toda crise traz aprendizagens, revela, amplia, evidencia questões. Consideramos que a educação foi um dos setores mais atingidos pela pandemia. Ao mesmo tempo foi possível perceber que as escolas não se resumem aos prédios, quadras, laboratórios. As escolas são as pessoas. A valorização do humano é sempre um ganho.

Pensando acerca dos aspectos trazidos, uma das preocupações no período que estamos vivendo é o vínculo afetivo que precisamos estabelecer para que a aprendizagem ocorra de maneira significativa, vínculo importante no desenvolvimento pessoal e social dos indivíduos.

Acreditamos na afetividade como um dos incentivadores da aprendizagem. Extrapolando o senso comum, o termo afetividade marca a capacidade do ser humano de ser afetado positiva ou negativamente.

Há quem pense que só podemos desenvolver a afetividade dando beijos e abraços, o que é impossível na pandemia. Os professores foram muito além. Virtualmente, ao promover uma escuta ativa do seu aluno, dar espaço para que ele fale suas experiências, mostrar-se preocupado e atento, tem sido uma forma possível, atualmente, de demonstrar afeto.

O desafio está sendo grande na nossa presente condição. Buscamos estratégias para que os alunos pudessem interagir virtualmente. Precisamos ter um olhar atento para aqueles alunos que estão tentando se esconder atrás das câmeras fechadas, incentivamos o diálogo entre os alunos para expressarem o que sentem no momento e perceberem que estão sendo acolhidos em suas demandas.

Diante disso, desenvolvemos planejamentos com atividade que, acima de tudo, fossem também pensadas para aproximar o estudante aos conceitos trabalhados nas aulas on-line, considerando questões afetivas, baseada na escuta ativa dos estudantes, propiciando um clima favorável à aprendizagem.

Sabemos que não é um momento fácil, entretanto foi uma oportunidade de trazermos, também, uma reflexão sobre empatia. O isolamento social é um exercício de empatia e de exercermos o autocuidado.

No entanto, mesmo buscando trazer afetividade nos espaços virtuais, continuamos acreditando na importância da interação, nas relações interpessoais e que, a melhor maneira de desenvolvê-las é presencialmente.

Conforme afirmamos no início, não temos certezas, mas levantamos hipóteses, hipóteses otimistas a partir da nossa vivência na realidade da escola.