Santiago de Compostela, 27 de junho de 2024 – A exposição “Si tu no estás”, do artista plástico baiano Roberto Lisboa, realizada na Trinta Galeria de Arte Contemporânea, em Santiago de Compostela, na Espanha, encerra neste domingo (30) com grande sucesso.
Apresentando um conjunto robusto de trabalhos iniciados no período da pandemia até a sua produção mais recente, o artista nascido em Juazeiro, na Bahia, cativou visitantes e personalidades do mundo das artes, incluindo curadores, colecionadores e o diretor do Centro Galego de Arte Contemporânea.
Composta por 35 obras, predominantemente bordados em linha de algodão sobre tela e tinta acrílica, a exposição foi a primeira internacional e a segunda individual do artista. A primeira foi realizada em Petrolina, Pernambuco, em outubro de 2018. O trabalho de Lisboa, que usa como base o bordado livre de forma única, recebeu elogios por sua abordagem visceral e estética potente.
“A recepção calorosa aqui na Espanha foi emocionante e encorajadora”, disse Lisboa. “Estou ansioso para levar minha arte para outros locais. Temos planos para exposições em Salvador, depois de passagens especiais por São Paulo, Paraty no Rio de Janeiro. Também estamos trabalhando em projetos para 2025, incluindo uma coletiva e uma exposição no Norte do Brasil, em Belém, coincidentemente com a COP30.”
Lisboa refletiu sobre o desenvolvimento de sua obra, destacando a importância do período pandêmico em sua trajetória. “Ainda Rio” foi uma exposição virtual planejada para a Galeria Movimento, dentro do projeto Vitrine Movimento, que foi extinto antes que a proposta pudesse ser mostrada devido à pandemia. “Eram tempos difíceis, mas o bordado me ajudou a viajar por lugares e tempos, de Canudos a Copacabana, tendo o Rio São Francisco como a via de viagem, passando por Minas Gerais de Guimarães Rosa ao sertão do antropólogo Levi-Strauss, mesmo estando preso em casa em Salvador. Eu seguia…”
Com o apoio da artista Lanussi Pasquali, do Ativa Ateliê, Lisboa desenhou a exposição, e parte das obras foi para a Galeria Paulo Darzé, em Salvador, de onde ganharam o mundo. Em 2022, através do colecionador e amigo German Valcarcel-Resault, o catálogo Rio + [2018-2019] e o portfólio Ainda Rio chegaram à galerista Asunta Rodrigues, da Galeria Trinta de Arte Contemporânea, em Santiago de Compostela, que convidou Lisboa a preparar um projeto de exposição.
Em 2023, Lisboa contatou Ricardo Resende, curador do Museu Bispo do Rosário NEA, e visitou a exposição “Leonilson: Montanhas Protetores e ao Longe, Vulcões, Rios, Furacões, Mares, Abismos e das Amizades”, na Pinacoteca do Ceará, com curadoria de Ricardo Resende e Aline Albuquerque. Ricardo, a quem Lisboa mostrou seus trabalhos, ajudou a transmutar “Ainda Rio”.
Em 2024, após convites para falar sobre o processo criativo da exposição “Ainda Rio” e com o apoio da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, Lisboa abriu a exposição “Si tu no estás” na Galeria Trinta, encerrando este ciclo no próximo domingo.
Atualmente, o artista tem obras nas galerias Paulo Darzé (Salvador) e Trinta (Santiago de Compostela).
Sobre Roberto Lisboa:
Roberto Lisboa, nome artístico de Roberto Romão, emergiu como artista após frequentar a Escola de Artes Visuais do Parque Lage e o Espaço Tom Jobim no Rio de Janeiro, onde estudou arte e filosofia com Hélio Eichbauer. Antes disso, Lisboa tinha uma carreira como pesquisador, cientista e professor universitário, com formação em engenharia agronômica, mestrado em genética das plantas, doutorado em recursos fitogenéticos e pós-doutorado no Jardim Botânico do Rio de Janeiro.
No trabalho que desenvolve com bordado, Roberto Lisboa utiliza a técnica simples de domínio doméstico para reconstruir imagens de sua memória. Esse processo começou após estágio no pós-doutoramento no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, onde pesquisou Roberto Burle Marx como cientista e conservador de plantas tropicais. A partir dessa experiência, iniciou seu trabalho artístico como bordador.
Inspirado pelo paisagismo de Burle Marx e pelas paisagens urbanas do Rio, desenvolveu um estilo único em suas telas bordadas, que combinam campos de cor geométricos e abstratos, refletindo a sua inventividade e a profundidade de suas influências botânicas e culturais.
A produção artesanal em variadas técnicas manuais sempre o encantou, e essa prática proporcionou a criação destas imagens e temas que o comovem e mobilizam, oferecendo um meio de enfrentar o cotidiano num mundo acelerado e distópico.












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