COMPORTAMENTOS AGRESSIVOS E REDES SOCIAIS: ENTENDA A RELAÇÃO

Em meio ao distanciamento social provocado pelo novo coronavírus, os smartphones em mãos tornaram-se “essenciais” para manter o contato com parentes e amigos nas redes.

Até o ano passado, 88% dos brasileiros conectados à internet destinaram seu acesso às redes sociais pelo menos uma vez por mês, conforme estudo da consultoria ComScore. Com a chegada da COVID-19 ao Brasil no final de fevereiro e o estabelecimento da quarentena, a população deve passar cada vez mais tempo no acesso a redes como Facebook, Instagram e Twitter.

Apesar de destinadas ao divertimento e criação de laços em uma comunidade digital acessível, as redes sociais estão longe de ser o paraíso na Terra. Comentários negativos, políticas de “cancelamento”, xingamentos e desrespeito são atitudes corriqueiras dentro das redes, e com a quarentena, a demanda por internet tem aumentado, bem como o número de acessos as redes sociais – cerca de 40%, segundo dados da Kantar.

Para a Mestra em Psicologia Comportamental pela Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP), Samanta Cavalcanti, a razão de comportamentos negativos se manifestarem nas redes sociais vem da falta de consequência para as ações dos agressores. 

Se pessoalmente eu grito com alguém, eu corro ricos físicos e psicológicos, contudo, nas redes sociais, a pessoa se sente protegida atrás de uma tela. As possibilidades de consequências para os agressores ainda são muito baixas, mesmo já existindo legislação e casos de condenação, por isso comportamentos assim se proliferam”, afirma Samanta.

Segundo a profissional e fundadora do Instituto Viver, existe um fenômeno que acontece na web responsável por levar usuários a comentarem frases agressivas e curtas, em vez de propor um diálogo bem fundamentado com argumentos, o “eco”.

A psicóloga atesta que o “eco” é gerado quando o internauta procura por engajamento em comentários e discussões, usando frases de efeito ou agressões rápidas e rasas para que sejam lidas e compartilhadas, “vencendo” a discussão dessa maneira.

As pessoa encontram o ‘eco’, quando os comentários ganham destaque por frases agressivas ou acintosas, já que argumentos grandes e bem fundamentados tendem a nem serem lidos. Por isso que frases de efeito, estimuladas já anteriormente pela falta de consequência do outro lado da tela, tendem a gerar engajamento e se destacar nas redes sociais”, explica.

A profissional entende que a sensação de impunidade somada a busca por prestígio através da agressão, são sintomas de desorganização psíquica e emocional. Podendo ser indícios de dores emocionais profundas, Samanta atribui a manifestação desses sinais à ausência de uma conexão emocional segura, potencializada pelo isolamento social.

As pessoas encontram um terreno ‘fértil’ nas redes sociais para extravasar dores encabuladas, tentando cicatrizá-las por momentos de falso prestígio, nem que para isso precisem ser agressivas e passar por cima das outras”, conclui.

Para mais informações sobre comportamentos sociais, acesse a página do Instagram da psicóloga @samanta.cavalcanti. Mais informações sobre o Instituto Viver estão no site habilidadesparavida.com.br.

Gabriela Bandeira
Comunicativa, antenada e com atuação há mais de 16 anos na área de assessoria de comunicação, Gabriela Bandeira é jornalista formada pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com curso de extensão na Universidade de Jornalismo de Santiago de Compostela (Espanha). Em 2019, reuniu toda a sua experiência e expertise em comunicação estratégica e conteúdos digitais, com atuação há mais de 12 anos no segmento de shopping center, e abriu a própria agência: a Comunicando Ideias. Filiada à Associação Brasileira de Agências de Comunicação (ABRACOM), possui alcance na Bahia e outros estados do Nordeste.