A cozinha baiana de Nara Amaral ganha noite especial no Gero

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Entre receitas que atravessam gerações, mesas que prolongam conversas e ingredientes que carregam território, a cozinha baiana contemporânea vive um momento de afirmação sofisticada. E poucos nomes representam essa nova narrativa com tanta autenticidade quanto a chef Nara Amaral.

À frente dos restaurantes Di Janela e Caza di Nara, a cozinheira transformou sua gastronomia em uma experiência de memória, afeto e identidade, conquistando espaço entre os nomes mais interessantes da cena gastronômica baiana. Agora, essa trajetória ganha um novo capítulo: no dia 30 de maio, Nara Amaral será a primeira convidada do Encontro de Chefs do restaurante Gero Salvador, projeto que inaugura uma série de jantares especiais reunindo chefs convidados em experiências autorais ao lado do chef da casa, Bahia Brito.

A escolha de Nara para abrir o projeto não poderia ser mais simbólica. Sua cozinha nasce justamente do encontro entre pessoas, culturas, histórias e ingredientes. O próprio nome Di Janela surgiu de uma memória afetiva: amigos que pulavam a janela da casa de esquina para dividir comida, bebida, música e um dia inteiro de conversas animadas. Essa atmosfera espontânea e acolhedora continua sendo a essência de tudo o que ela cria. Em seus restaurantes, a experiência vai além do prato; existe uma narrativa emocional que transforma cada serviço em um convite à convivência.

“Sempre acreditei que cozinhar é uma forma de receber, amar e criar conexão e memória. Minha cozinha nasce muito das minhas vivências, das minhas lembranças, do meu paladar, da Bahia, das pessoas que passaram pela minha mesa e da emoção que existe em compartilhar comida”, afirma Nara Amaral. Sua assinatura gastronômica combina técnica refinada, repertório brasileiro e uma leitura contemporânea da baianidade. Nara conduz ingredientes nordestinos com naturalidade elegante, explorando sabores intensos sem perder delicadeza. Em sua cozinha, o regional nunca aparece como tendência estética; é origem, linguagem e pertencimento.

No jantar promovido pelo Gero, essa identidade encontra a tradição italiana sofisticada que marca a cozinha da casa. Bahia e Itália compartilham mais do que ingredientes: dividem a compreensão da mesa como espaço de encontro. Ambas celebram o frescor, o tempo do preparo, o protagonismo do azeite, a relação íntima com o mar e a hospitalidade como gesto central.

O menu degustação traduz exatamente esse diálogo. Ingredientes como mandioca, licuri, cupuaçu, maxixe, caju e lambreta aparecem reinterpretados por meio de técnicas clássicas e contemporâneas. Entre os destaques da noite estão o Crudo de Peixe com Caju, de inspiração mediterrânea com acento brasileiro; o Carpaccio de Língua com Molho de Ostra e Picles de Maxixe, que conecta referências italianas, asiáticas e nordestinas; o Paglia e Fieno com Vieiras, aproximando a tradição das massas frescas italianas ao litoral brasileiro; e as Texturas de Mandioca, uma leitura sofisticada de um dos ingredientes mais emblemáticos da culinária nacional.

“Existe algo muito bonito nesse encontro entre Bahia e Itália porque ambas têm a mesa como lugar de afeto. São cozinhas cheias de identidade, tradição e generosidade. Poder construir esse menu ao lado do chef Bahia Brito, trazendo ingredientes tão nossos dentro de uma linguagem sofisticada, é muito especial para mim. Um marco na minha trajetória”, completa a chef.

A sobremesa, criada a quatro mãos, parte do chocolate baiano e dialoga com elementos da gelateria italiana e sabores nordestinos, encerrando a experiência com a mesma proposta que conduz toda a noite: criar memória através do sabor.

O encontro entre Nara Amaral e Bahia Brito representa um retrato do momento atual da gastronomia baiana: criativa, cosmopolita, profundamente conectada às suas raízes e cada vez mais presente nos grandes circuitos de experiências de alto padrão do país.