A Casa da Ponte realiza cerimônia de apresentação do casarão restaurado que abriga sua sede no Pelourinho

Ubiratan Marques, Arany Santana e Mateus Aleluia - Crédito da foto: Divulgação

Muito concorrida a cerimônia de apresentação da Casa da Ponte, realizada ontem, no Largo do Pelourinho, nº 10, no Centro Histórico. Os convidados tiveram a oportunidade de percorrer os três andares do casarão do século XVIII, que teve concluídas as obras de restauração e adequação.

A partir de agora, a organização sociocultural e educativa, idealizada pelo maestro Ubiratan Marques, passa a abrigar com muito mais conforto a Orquestra Afrosinfônica, do Núcleo Moderno de Música e de outros projetos voltados à educação musical. A iniciativa foi bastante elogiada pelos convidados, especialmente por Mateus Aleluia e Arany Santana, que destacaram a importância do espaço em seus discursos antes do corte da fita inaugural.

Durante o evento, foi oficializada a inauguração da Sala Mateus Aleluia, espaço equipado com estúdio e destinado aos ensaios e às apresentações da Orquestra Afrosinfônica. A sala homenageia o cantor, compositor e um dos fundadores do grupo Os Tincoãs, referência da música e da cultura afro-brasileira. No local, os convidados assistiram a um vídeo sobre a história da Casa da Ponte e as etapas de restauração do casarão, além de aplaudirem a apresentação dos músicos da orquestra.

“A grande conquista desta restauração é exatamente poder fazer esse diálogo com a população, receber as pessoas dentro daquela casa. A beleza do projeto é essa. E, ontem, foi um dia muito importante, principalmente contar na cerimônia com a presença de Mateus Aleluia e Arany Santana, pessoas que estão comigo desde o começo, que vêm somando para que tudo isso acontecesse. Outra pessoa fundamental é Paulo Alconforado, que deu o nome à Casa da Ponte. A instituição nasceu com ele. Fiquei também muito feliz com presença dos nossos convidados e todos os trabalhadores da obra que estavam ali com a nossa equipe”, afirma o Maestro Ubiratan Marques.

 As paredes do casarão também se transformam em galeria de arte, com fotos que retratam a história da Casa da Ponte. Destaque para as obras de arte, assinadas por Rimon Guimarães, nas paredes ao ar livre e no foyer da sala de ensaio. “Essa criação para a Casa da Ponte é inspirada no universo afro-brasileiro, nas músicas da Afrosinfônica e dos metres Mateus Aleluia e Gilberto Gil”, revela Rimo.

O projeto de restauração contou com patrocínio do Nubank, por meio daLei Federal de Incentivo à Cultura, com gestão do Ministério da Cultura. Durante o restauro, foram preservadas as características arquitetônicas originais do casarão tombado pelo Iphan. Com 862 m² de área construída, o imóvel está localizado na poligonal do Centro Histórico de Salvador, reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco. Ele fica de área construída; o imóvel está localizado na poligonal do Centro Histórico de Salvador, reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco, em frente à Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, ao lado da Fundação Jorge Amado e cercado por casarios centenários.

Ubiratan Marques e Rimon – Crédito da foto: Pedro Hejac

Intervenções

As intervenções adequaram o casarão para abrigar a Sala Mateus Aleluia, espaço destinado aos ensaios, concertos e gravações da Orquestra Afrosinfônica. O imóvel também passa a contar com salas para aulas individuais e coletivas de música do Núcleo Moderno de Música (NMM), além de espaços para reuniões, administração e atividades do corpo docente.

A reforma contemplou ainda o restauro de esquadrias, forros, assoalhos e da cobertura, preservando as características arquitetônicas originais do imóvel, além da implantação de uma nova infraestrutura hidráulica e elétrica, garantindo funcionalidade, segurança e acessibilidade para as atividades culturais e educacionais desenvolvidas no espaço.

Núcleo Moderno de Música

 O Núcleo Moderno de Música é que dá início à história da Casa da Ponte. A escola idealizada por Ubiratan e Gilberto Santiago iniciou no casarão, quando ainda funcionava em salas alugadas, de 2009 a 2011. A partir das aulas, foi o berço do surgimento da Afrosinfônica, além da realização dos processos criativos e ensaios para a gravação do primeiro álbum, o Branco.

Com permissão de uso do imóvel pela Casa da Ponte, em 2018, o Núcleo passou a atuar efetivamente como escola de música voltada para um público já iniciado musicalmente e conta com cursos de qualificação, especialização e para iniciantes. Lá também foram realizados todos os ensaios da orquestra para a gravação do álbum Dois.

Casa da Ponte – Crédito da foto: Pedro Soares

Ponte para a Comunidade.

Como organização sociocultural, em 2024, a Casa da Ponte desenvolveu o seu primeiro projeto voltado para a educação e a formação musical nas comunidades de Salvador. Idealizada pelo maestro Ubiratan, a primeira edição do Ponte Para a Comunidade formou oito Orquestras Afrobaianas, entregues para serem administradas por oito organizações: Ilê Aiyê, Banda Didá, Olodum, Pracatum, Cortejo Afro, Filhos de Gandhy, Malê Debalê e Grupo Étnico Cultural Bairro da Paz.

Além de uma extensa programação cultural, como concertos e ensaios abertos da Afrosinfônica, espetáculos musicais com alunos, no interior da Casa da Ponte, o maestro Ubiratan Marques desenvolveu um calendário de eventos que envolverá os bairros de Salvador e outros municípios. Em 2025, o projeto “Ponte Para as Filarmônicas”reuniu, em São Félix, bandas de Santo Amaro, Cruz das Almas, Cachoeira, Muritiba, Acupe e São Félix. A partir de dezembro, a Orquestra Afrosinfônica iniciará uma série de concertos, com participações especiais, nas escadarias da Fundação Jorge Amado, no Pelourinho.