Síndrome vasovagal lidera causas de desmaio e exige atenção a sinais de risco

A síndrome vasovagal, uma das principais causas de desmaios na população em geral, tem ganhado atenção pela frequência embora, na maioria dos casos, apresente caráter benigno. Apesar disso, investigar as causas ajuda a descartar problemas cardíacos mais graves e outras condições que merecem atenção. Classificada dentro das chamadas síncopes, que são as perdas transitórias da consciência provocadas pela redução do fluxo sanguíneo cerebral, a condição pode ser classificada como reflexa ou neuromediada.  

De acordo com a cardiologista Flávia Bassi, do Sabin Diagnóstico e Saúde, o diagnóstico da síndrome vasovagal deve ser realizado por meio da análise do histórico detalhado do paciente, com um exame clínico minucioso, inclusive com medição da pressão arterial em diferentes posturas. Ainda de acordo com a especialista, exames complementares, como eletrocardiograma, Holter de 24 horas, ecocardiograma e teste ergométrico, são utilizados para descartar causas cardíacas. O teste de inclinação ortostática, conhecido como Tilt Test, também pode ser indicado para confirmar o diagnóstico em casos duvidosos, além de auxiliar na diferenciação de outras condições.  

“O teste de inclinação ortostática deve ser considerado para confirmar o diagnóstico de síncope reflexa nos pacientes nos quais esse diagnóstico foi suspeitado, mas não confirmado na avaliação inicial. Uma resposta negativa não exclui o diagnóstico de síncope reflexa. Ele permite também o diagnóstico de hipersensibilidade do seio carotídeo, hipotensão postural e síndrome da taquicardia postural ortostática”, destaca.

A especialista acrescenta ainda que exames laboratoriais ajudam no diagnóstico diferencial da síndrome, principalmente nos casos de hipoglicemia e intoxicações exógenas, que são a exposição a substâncias químicas externas, a exemplo de medicamentos, agrotóxicos, drogas e produtos de limpeza.

Diferença entre as síncopes reflexa ou neuromediada

A cardiologista explica que a síncope reflexa pode ser dividida em vasovagal (quando o corpo reage a gatilhos, como calor, medo ou dor), situacional (desencadeada por ações fisiológicas, como tossir, urinar e espirrar) e de hipersensibilidade do seio carotídeo (associada, normalmente, a movimentos da cabeça e do pescoço). “As síncopes reflexas são as mais frequentes, correspondendo a 66% dos casos, em todas as idades”, afirma ela, acrescentando que o mecanismo fisiológico da síncope vasovagal envolve um reflexo desencadeado por mecanorreceptores localizados, principalmente, no coração.

Ela ainda acrescenta que, nas síncopes neuromediadas, o principal mecanismo é um reflexo do sistema nervoso autônomo, que é o responsável por controlar automaticamente funções como os batimentos do coração e a pressão arterial: “Esse sistema tem um componente que acelera o coração e eleva a pressão, e outro, chamado vagal, que faz o oposto. Em algumas pessoas, por predisposição genética, esse sistema vagal pode reagir de forma exagerada a certos gatilhos, como ficar muito tempo em pé, levando a uma queda acentuada dos batimentos do coração — às vezes abaixo de 30 por minuto ou com pausas prolongadas — e da pressão arterial, o que pode resultar em desmaio”.

Embora a maioria dos casos não esteja relacionada a doenças cardíacas estruturais, a cardiologista alerta para sinais de risco que exigem investigação imediata. Episódios acompanhados de palpitações, dor no peito, ausência de sintomas prévios, ocorrência durante exercício físico ou histórico de cardiopatias podem indicar causas mais graves, como arritmias ou doenças cardíacas, e a pessoa deve procurar o serviço de saúde para fazer um acompanhamento mais cuidadoso.

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