O Oco Teatro Laboratório dá início às comemorações de seus 20 anos de atuação com a realização da 11ª edição do NORTEA – Núcleo de Laboratórios Teatrais do Nordeste, que acontece entre os dias 13 e 17 de julho, na Casa Preta, em Salvador. Gratuito, o encontro reúne artistas, pesquisadores e criadores de diferentes campos do conhecimento para uma intensa imersão em processos de experimentação, tendo como eixo temático “A Indisciplina como verbo”.
Ao longo de duas décadas, o Oco Teatro Laboratório consolidou-se como um dos mais importantes coletivos de pesquisa e criação em artes cênicas da Bahia e da América Latina. Nesse período, montou mais de uma dezena de espetáculos, realizou circulação artística pela América Latina, Estados Unidos e Europa, criou o FIGA – Festival Internacional Gestos de América, que chega à sua 16ª edição, fundou a revista de artes cênicas Boca de Cena, publicou as coleções bilíngues Dramaturgia Latino-Americana, com cinco volumes, e Teoria Teatral Latino-Americana, com dois volumes, além de idealizar o Colóquio Internacional de Artes Cênicas da Bahia (CICBahia), que alcança sua décima edição, e o próprio NORTEA, agora em sua 11ª realização.
A trajetória do coletivo também é marcada pelo compromisso com a descentralização do acesso às artes cênicas na Bahia, promovendo cursos, encontros e intercâmbios com grupos e artistas de diversas cidades do interior do estado.
Criado em 2008, o NORTEA tornou-se um espaço permanente de pesquisa laboratorial e de intercâmbio técnico e estético entre artistas interessados em práticas experimentais. Nesta edição comemorativa, o encontro propõe abandonar as fronteiras disciplinares tradicionais para experimentar novas formas de criação coletiva.
Com o tema “A Indisciplina como verbo”, o laboratório convida os participantes a ultrapassar conceitos como interdisciplinaridade e transdisciplinaridade, propondo um território onde as próprias disciplinas entram em colapso para abrir espaço a outras formas de pensamento e criação.
Teatro, performance, fotografia, biologia, geologia e ecologia passam a dialogar em uma experiência que busca produzir uma verdadeira “ruína epistemológica”, suspendendo métodos e certezas para permitir outras possibilidades de existência artística e de produção de conhecimento.
Segundo a proposta do encontro, a ruína deixa de representar um fim para tornar-se um espaço fértil de regeneração. A partir da decomposição de estruturas cristalizadas, o NORTEA convida artistas e pesquisadores a habitarem as frestas, reconhecendo no colapso uma potência inaugural capaz de fazer emergir novas formas de criação, convivência e imaginação.
Participam desta edição Luis Alonso-Aude, Brenda Urbina, Rafael Magalhães, Junior Romanini, Ciane Fernandes, Gilsamara Moura, Leonardo Sebiane, Deborah Moreira, Alexandre Américo, Ireno Júnior, Lucimélia Romão, Caique Alves, Elaine Belavista e Lucas Marinho, entre outros convidados.
As atividades integram o calendário comemorativo dos 20 anos do Oco Teatro Laboratório, reafirmando sua vocação para a pesquisa, a experimentação e o fortalecimento das redes latino-americanas de criação em artes cênicas.
O encontro é gratuito e aberto ao público que é convidado a participar dos debates.












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