O sonho da maternidade não acaba com um diagnóstico de câncer de mama

Em maio, quando o afeto e as memórias da maternidade ganham ainda mais força, muitas mulheres também se deparam com um medo silencioso: o de que um diagnóstico de câncer de mama possa interromper o sonho de ser mãe. Hoje, a medicina tem mostrado que esse caminho pode ser diferente.

“O cuidado com a fertilidade deve começar junto com o diagnóstico, especialmente em mulheres jovens”, explica o mastologista Sérgio Calmon. Segundo ele, a avaliação precoce permite às pacientes preservarem óvulos antes do início da quimioterapia, evitando os impactos do tratamento na função ovariana.

Com o avanço das pesquisas e o acompanhamento cada vez mais individualizado, especialistas reforçam que a maternidade pode continuar sendo um projeto possível, mesmo após o tratamento oncológico.
Nesse contexto, a mastologista Juliana Orrico destaca que os estudos mais recentes têm ampliado a segurança para essas pacientes: “A gestação após o tratamento já é considerada possível e segura em muitos casos, desde que haja planejamento e acompanhamento multidisciplinar”.
Na prática, isso significa que o planejamento da fertilidade passa a fazer parte do cuidado desde o início. Antes da quimioterapia, técnicas como o congelamento de óvulos ou embriões já permitem preservar a possibilidade de uma gestação futura. Em alguns casos, as etapas do tratamento hormonal, fundamentais para reduzir o risco de recidiva, podem ser temporariamente ajustadas, com acompanhamento médico, para viabilizar a gestação com segurança.
Tudo é conduzido de forma individualizada, com atuação conjunta do mastologista, oncologista e do especialista em reprodução, equilibrando controle da doença e o projeto de vida da paciente.
Mais do que tratar a doença, a medicina hoje se compromete com algo maior: não interromper histórias. Porque, para muitas mulheres, preservar a vida também significa preservar o direito de sonhar e, em especial, de ser mãe.