Neste mês dedicado à saúde da mulher, o ginecologista e obstetra do Hospital de Brotas destaca a importância de cuidar não apenas das mamas, mas também do útero
De acordo com dados do Ministério da Saúde, no Brasil, estima-se que cerca de dois milhões de mulheres tenham miomas uterinos. A condição afeta, principalmente, mulheres entre 30 e 50 anos e, em idade reprodutiva – durante o período em que menstruam e podem engravidar. Uma em cada duas mulheres, nesta fase da vida, pode ter miomas.
Confira a entrevista completa com o ginecologista e obstetra do Centro Cirúrgico do Hospital de Brotas, Pedro Paulo Bastos Filho, que acumula mais de 40 anos de experiência em cirurgias ginecológicas e contabiliza no seu currículo de práticas cirúrgicas cerca de 4 mil cirurgias e mais de 12 mil partos.
- O que são os miomas?
Miomas são tumores uterinos benignos formados por tecido muscular. A causa é desconhecida, mas sabe-se que seu crescimento depende de fatores hormonais, diminuindo de tamanho após a menopausa. Podem ser únicos ou múltiplos e desde bem pequenos até atingirem enormes volumes.
- Existe mais de um tipo de mioma?
Existem vários tipos de miomas. Eles são classificados baseados na sua localização uterina e de acordo com o seu tipo histológico (tecido). A Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia classifica os miomas em oito tipos.
- Quais os sintomas que o mioma pode causar?
A sintomatologia dos miomas depende de suas localizações e de seus volumes. Eles podem dar sangramentos, compressão em órgãos vizinhos, como bexiga e reto, e causar dores pélvicas.
- O mioma sempre apresenta sintomas ou pode ser silencioso?
Na maioria das vezes ele é silencioso. Principalmente, os menos volumosos. A mulher tem o mioma, existe o nódulo endometrial, e ela não tem sintoma algum. Por isso, muitas mulheres nem sabem que têm e nem se submetem à cirurgia.
- Qual o tratamento para o mioma?
Nem todo mioma uterino precisa de cirurgia. Há casos em que medicamentos podem resolver. O tratamento depende de vários fatores, como o tamanho, a localização, a quantidade e os sintomas. A indicação cirúrgica é caso a caso, como tudo na medicina. Mas, a depender da localização e do volume do mioma, a cirurgia pode ser por histeroscopia – um procedimento via vaginal, ou cirurgia via vagina, ou um método mais invasivo, se o mioma for muito volumoso, pela via abdominal.
- Quando o mioma pode ser considerado muito volumoso?
Quando ele tem acima de 4cm. Mas Dr. Pedro Paulo nos surpreendeu, contando o caso de uma paciente sua em que ele fez a retirada de um mioma com pouco mais de 4kg! Maior do que muitos bebês nascidos sob os seus cuidados.
Há casos em que o útero apresenta múltiplos miomas, aumentando, consideravelmente, o seu volume. Em geral, o útero tem de 30 a 90cm³ e pode chegar a 300cm³, gerando sintomas compressivos na cavidade pélvica.
- O mioma é hereditário?
A anomalia do surgimento de miomas não é considerada hereditária. Porém, há estatísticas comprovadas de que mulheres que as suas mães tiveram casos de miomas estão mais propensas a, também, apresentarem os tumores benignos uterinos.
- Mulheres que tiveram mioma podem engravidar?
Depende do mioma. Se o mioma tratado não distorcer a cavidade endometrial (uterina), ele não é um empecilho para a mulher engravidar. Se for um mioma submucoso (que se desenvolve na camada interna do útero, o endométrio), este será um fator dificultador da gravidez, não impeditivo.
- Alguma dica para a possível prevenção de miomas?
Estudos indicam que o estradiol pode estimular o crescimento dos miomas uterinos e/ou agravar os seus sintomas. Estradiol é um hormônio estrogênico produzido, principalmente, nos ovários, mas também em outras partes do corpo, como ossos, pele, fígado e glândula adrenal. A má alimentação e o sedentarismo podem estimular esse processo. Assim como o excesso de ingestão de carne vermelha e a pouca ingestão de verduras e legumes.
“Uma alimentação saudável e atividade física, na maioria das vezes, é solução para uma vida mais saudável e a prevenção para inúmeras doenças. E, no caso dos miomas, as visitas regulares e anuais ao ginecologista é o caminho mais seguro para o acompanhamento de possíveis surgimentos deles. Nestas consultas, devem ser solicitadas ultrassonografias transvaginais, como exame de diagnóstico por imagem, indicadas para a detecção ou não dos tumores benignos uterinos”, completa Dr. Pedro Paulo Bastos Filho.












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