Iemanjá e o trabalho oculto da mãe

Por Márcia Athayde

O mês de fevereiro tem o seu dia 2 dedicado a Iemanjá. Não é apenas data tradicional ou um festejo popular na Bahia… É a lembrança da Rainha das Águas, da mulher que paira sobre as ondas, que protege as crianças, é mãe e esposa. Ela ama os homens do mar. Por isso também é a protetora dos pescadores.

Mãe de todos os orixás, Iemanjá, conhecida como a rainha do mar, inspira ao mesmo tempo a força e a mansidão das águas. Seu jeito maternal e temperamento doce revelam uma mãe bondosa, voltada inteiramente para os filhos. Seu domínio seguro sobre as forças da natureza sustenta a imagem de uma mãe forte.

Diversas fontes informam que Iemanjá é também conhecida por Dona Janaína, Inaê, Princesa de Aiocá e Maria, no paralelismo com a religião católica. Aiocá é o reino das terras misteriosas da felicidade e da liberdade, imagem das terras natais da África.

Essa representação remete a muitas mulheres, mães e esposas que se dedicam a cuidar do lar e dos filhos, num trabalho oculto que, muitas vezes não é reconhecido. Algumas deixam de exercer a profissão, outras conciliam a dupla e até tripla jornada de trabalho.

Tem sido principalmente da mulher a tarefa de cuidar, especialmente numa sociedade machista, que confunde a determinação biológica com dever. Se amamentar é algo exclusivo, não se pode dizer o mesmo quando é preciso consolar o filho em seu choro e acompanhar seu crescimento e aprendizados.

É preciso que se reconheça a luta diária das mulheres. São as mulheres que mais abrem mão de coisas pessoais pela família. Ainda assim, sustentam beleza e feminilidade e comungam com Iemanjá o atributo da vaidade.

Quando se reverencia Iemanjá, é preciso resgatar também seu exemplo de força e seu simbolismo para as transformações de que a sociedade tanto precisa… Sim, ela é vaidosa, mas certamente, como as mulheres, mais que perfumes e espelhos, quer receber reconhecimento.

Márcia Athayde é jornalista, tendo atuado como repórter e também nas assessorias de imprensa da Seagri e do Sindicato dos Bancários da Bahia.

Gabriela Bandeira
Comunicativa, antenada e com atuação há mais de 16 anos na área de assessoria de comunicação, Gabriela Bandeira é jornalista formada pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com curso de extensão na Universidade de Jornalismo de Santiago de Compostela (Espanha). Em 2019, reuniu toda a sua experiência e expertise em comunicação estratégica e conteúdos digitais, com atuação há mais de 12 anos no segmento de shopping center, e abriu a própria agência: a Comunicando Ideias. Filiada à Associação Brasileira de Agências de Comunicação (ABRACOM), possui alcance na Bahia e outros estados do Nordeste.