ENTREVISTA EXCLUSIVA: FABRÍCIO BOLIVEIRA FALA SOBRE O FILME “BREVE MIRAGEM DE SOL”

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Exatamente um ano depois de revelar a trajetória extraordinária de Wilson Simonal nos cinemas, o ator Fabrício Boliveira joga uma lupa na vida ordinária e comum de Paulo, o protagonista do primeiro filme exclusivo da GloboPlay. “Breve Miragem de Sol” conta a história de um taxista que dirige nas noites do Rio de Janeiro para poder pagar a pensão do filho. O longa, dirigido por Eryk Rocha, chega na plataforma de streaming HOJE, 30 de agosto. E a Revista Yacht traz uma entrevista exclusiva com o ator para você conferir em primeira mão! Boa leitura!

 

Revista Yacht: Você vive um taxista no filme. Como foi a preparação? O que você descobriu, por exemplo, sobre a vida desses profissionais nesse processo?
Fabrício Boliveira: trabalhei diretamente com os taxistas cariocas durante meses. Então, pude adentrar as questões da profissão, a escuridão das ruas, a solidão, o cansaço, os grupos gigantes de whatsapp e a relação com as empresas estrangeiras de transporte. Eu aluguei um apê em Cascadura, rodei por Madureira, Santa Teresa, Centro do Rio, Parada de Lucas, andei de metrô e olhei para os rostos de quem realmente faz o Brasil. Bati muito papo e fiz bons amigos.

RY: Como “Breve Miragem de Sol” dialoga com o Brasil de 2020 e por que é importante que as pessoas o vejam?
FB: A gente gravou esse filme em 2017, e, nessa época, eu vi as mudanças que aconteceram depois de algumas políticas afirmativas, como as cotas, os direitos trabalhistas para as empregadas domésticas, uma liberdade estética e um poder aquisitivo maior. Mas ele traz cenas muito atuais sobre essa falência do governo e da sociedade. Aspectos que durante esse período pandêmico ficaram óbvios, como nosso racismo estrutural, quem tem acesso à saúde de qualidade e o desemprego, por exemplo, estão em evidência. Esse país quebrado passa pelos olhos cansados de um taxista noturno e de uma enfermeira de hospital público – a atriz Bárbara Colen, que faz o meu par romântico no filme. Mas o filme é um respiro, ele aponta para uma saída de como nós, brasileiros comuns, lidamos com essa crise macro no dia-a-dia.

RY: Como você pode definir o Paulo?
FB: Um brasileiro contemporâneo em transformação. O filme joga uma lupa nesse homem comum de um grande capital, que lida com os aspectos do machismo, do racismo e da paternidade tendo que dar conta também das responsabilidades pessoais. Acho que o Paulo aponta para uma possível saída de como podemos lidar melhor com a crise macro do país no dia-a-dia da cidade. É um pai que rompe estereótipos e que se transforma com o passar da narrativa.

 

RY: Você ganhou o prêmio de melhor ator pelo Festival do Rio 2019 e o próprio longa ganhou outros prêmios. O que o filme representa na sua carreira?
FB: Acho que, além das grandes amizades que fiz, foram muitos aprendizados sobre esse tempo que estamos vivendo e sobre os meus limites de entrega como ator. Eu engordei 14 kg para fazer esse filme e trabalhei muito aguçado a minha sensibilidade. O Paulo é um personagem ficcional construído a partir das minhas relações com pessoas reais (não-atores) que entravam no meu táxi. Era tudo improvisado em cima do roteiro. Eu recebia o endereço de onde tinha que buscá-los e de lá me encaminhava para o endereço que eles desejavam, como um taxista comum. Tem uma cena em que houve uma briga muito grande depois de um jogo no Maracanã. E eu estava lá, aquilo era real.

 

RY: Você vê alguma relação entre Paulo e Simonal, agora um ano depois que o filme passou no cinema?
FB: Quando temos protagonistas negros , outras perspectivas se abrem. Outros desejos, outras vivências sociais, outra experiência. Delicadezas pouco exploradas pelo excesso de perigo que esses corpos passam na tele-dramaturgia brasileira. Acho que esses 2 personagens inauguram de formas diferentes um estado de deleite sobre as subjetividades de um homem negro.

 

Crédito Fotos: Rodrigo Peixoto

Gabriela Bandeira
Comunicativa, antenada e com atuação há mais de 16 anos na área de assessoria de comunicação, Gabriela Bandeira é jornalista formada pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com curso de extensão na Universidade de Jornalismo de Santiago de Compostela (Espanha). Em 2019, reuniu toda a sua experiência e expertise em comunicação estratégica e conteúdos digitais, com atuação há mais de 12 anos no segmento de shopping center, e abriu a própria agência: a Comunicando Ideias. Filiada à Associação Brasileira de Agências de Comunicação (ABRACOM), possui alcance na Bahia e outros estados do Nordeste.