Depressão x cotidiano: saiba como uma rotina atarefada pode esconder uma doença silenciosa

Fabiane Veiromber - crédito da foto: João Ferreira

Quando se fala em depressão, ainda é comum que a doença seja associada ao isolamento e à falta de ânimo, sintomas que realmente atingem muitos pacientes. No entanto, existe uma parcela de pessoas que aparentemente está bem, segue trabalhando, estudando e cuidando dos afazeres domésticos, mas que também está passando por um processo depressivo e precisa de tratamento como qualquer outro paciente.

A psicóloga Fabiane Veiromber explica que colocar todos os pacientes em uma mesma caixinha é uma atitude bastante equivocada, pois cada indivíduo é único e pode responder à doença de formas diferentes: “Embora algumas pessoas realmente possam se isolar, chorar muito ou ter dificuldade para sair da cama, outras conseguem manter uma rotina aparentemente normal e, ainda assim, vivenciar sintomas como desesperança, tristeza, angústia, perda de prazer e ter inúmeros prejuízos na vida”.

Fabiane destaca que uma pessoa que enfrenta a depressão, mas não consegue verbalizar o que sente e segue com muitas demandas no dia a dia, pode esconder um sofrimento profundo e uma luta interna, fazendo um esforço fora do comum para continuar desempenhando suas atividades.

A psicóloga sinaliza que, devido ao preconceito, muitas pessoas acabam não validando os próprios sentimentos e demoram para buscar tratamento, o que pode gerar sérias consequências para a saúde. “Alguns têm a ideia equivocada de que, para procurar ajuda, precisam estar no limite, sem conseguir funcionar e no estado mais grave do adoecimento psíquico. Esse silêncio pode fazer com que o sofrimento seja ignorado ou normalizado, atrasando a busca pelo acompanhamento psicológico. A depressão pode apresentar sintomas emocionais, como tristeza, vazio e perda de prazer, mas também sintomas físicos, como cansaço, alterações no sono, apetite e dores”, alerta.

Vale destacar que sentimentos como tristeza, frustração e desânimo fazem parte da vida humana. Um conflito, uma perda ou o luto, por exemplo, podem causar alterações no apetite e no sono sem que isso signifique que a pessoa tenha um transtorno. Porém, o sinal de alerta acende quando esse sofrimento se torna persistente, intenso ou começa a comprometer a rotina. Por exemplo: quando a pessoa perde o interesse ou o prazer pelas coisas, tem dificuldade de se concentrar, apresenta alterações importantes no sono ou no apetite, sente culpa ou desesperança de forma frequente, ou percebe que está com cada vez mais dificuldade para funcionar.