Carnaval e saúde mental: entre a fantasia e a realidade emocional

Niliane Brito, psicóloga especialista em Psicologia Clínica

Tradicionalmente associado à liberdade e ao excesso, o Carnaval costuma ser visto como um período em que tudo é permitido. No entanto, quando a festa termina, a rotina retorna trazendo consigo conflitos não resolvidos, emoções silenciadas e desafios que continuam presentes na vida cotidiana.
Para a psicóloga especialista em Psicologia Clínica, Niliane Brito (CRP 03/12433), o período também revela importantes movimentos psíquicos. “Mais do que fantasias visíveis, o Carnaval expõe o desejo de experimentar outros papéis e de buscar no olhar do outro um senso de pertencimento. Muitas vezes, o prazer e a felicidade caminham juntos com a tentativa de aliviar dores que ainda não conseguimos nomear”, afirma.
Segundo a especialista, a fantasia possui uma função emocional legítima e pode ser saudável quando vivida de forma equilibrada. “O cuidado começa quando o escapismo se torna a única forma de lidar com a própria vida. Nesse momento, a pessoa deixa de elaborar suas emoções e passa a usar a festa como refúgio permanente”, alerta.
Niliane também convida à reflexão sobre os limites entre diversão e fuga da realidade. “Precisamos nos perguntar se conseguiríamos viver em uma fantasia constante. A vida real exige presença, responsabilidade emocional e disposição para enfrentar o que sentimos”, pontua.
Para ela, o verdadeiro equilíbrio está na consciência. “A saúde mental não está em evitar a realidade, mas na capacidade de habitá-la com mais clareza, inclusive nos momentos de celebração. É possível aproveitar o Carnaval sem se desconectar de si mesmo”, conclui.