Atividades artísticas melhoram o desempenho escolar e o desenvolvimento integral. Especialista explica como

Foto: Diogo Flórez

Atividades artísticas não são complementares, mas fundamentais para o desenvolvimento integral dos estudantes, uma vez que estimulam funções cognitivas importantes para a aprendizagem, como memória, concentração e linguagem, e, ao mesmo tempo, fortalecem a autoestima ao oferecer espaços de expressão, pertencimento e reconhecimento, especialmente na adolescência, que tende a ser um período de descobertas.

Mylane Mutti, formada em Música Popular com habilitação em voz cantada pela Universidade Federal do Estado da Bahia (UFBA), professora de canto e idealizadora da escola vocal Cantoário, explica que o canto envolve múltiplas ações, podendo estimular algumas habilidades cognitivas na infância e adolescência. “Podemos destacar a alta demanda da memória, o aprimoramento da linguagem, a propriocepção (percepção do corpo, músculos, etc) e habilidade de ativar múltiplas funções simultâneas, processamento do som, habilidade motora, texto, expressão fazem parte desse conjunto de práticas. 

De acordo com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), o ensino de artes na educação infantil tem como objetivo promover a expressividade por meio de diferentes linguagens artísticas estimulando, nas crianças, o desenvolvimento do olhar perceptivo, da sensibilidade e da capacidade de se expressar de múltiplas formas. Nesse contexto, a realização de atividades artísticas contribui para o fortalecimento da autoestima e para o desenvolvimento de habilidades específicas, tanto na infância quanto na adolescência.

A estudante Yeva Bove, de 16 anos, conta que entrou aos 8 anos na Cantoário após um olhar observador da mãe, que notou seu gosto pela música. Para a jovem, a experiência no palco contribuiu para sua desenvoltura na comunicação. “O canto fez eu me soltar mais, porque para se apresentar é preciso incorporar um personagem, o que influenciou diretamente para que eu não tivesse dificuldade para falar em público. Eu me expresso através dessa arte, porque é uma forma até mesmo de liberar sentimentos e se expor de maneira mais profunda”, conta Yeva Bove.

Outro ponto que a professora ressalta é o auxílio de atividades artísticas, como o canto, que podem contribuir para equilibrar o uso da tecnologia entre adolescentes. Essa perspectiva se torna ainda mais pertinente diante dos dados da pesquisa TIC Kids Online Brasil, de 2024, os quais mostram que 93% da população de 9 a 17 anos é usuária de internet no país, representando cerca de 25 milhões de crianças e adolescentes.

“Fazer arte é estar em contato com o presente, com o ambiente e com as pessoas. É preencher o mundo e olhar para ele e para si mesmo enquanto pintamos, cantamos, atuamos ou dançamos, por exemplo. Não acredito que haja ferramenta mais eficiente de conexão entre o corpo, a mente e o mundo do que a arte. Além disso, o estímulo à comunicação traz o jovem para o convívio em grupo (senso de comunidade), e a elaboração dos processos emocionais da adolescência pode ser conduzida de forma mais leve e menos ansiosa”, afirma Mylane Mutti.