Manipulação, humilhação, controle e gaslighting podem deixar marcas profundas e dificultar até mesmo o reconhecimento de uma relação abusiva
O Agosto Lilás, campanha dedicada à conscientização e ao enfrentamento da violência contra a mulher, também chama atenção para formas de abuso que nem sempre deixam marcas visíveis. A violência emocional e psicológica pode aparecer de maneira gradual, por meio de comportamentos como manipulação, humilhação, controle excessivo, ameaças e desqualificação.
Segundo a psicóloga Niliane Brito, uma das dificuldades está justamente em perceber quando determinados comportamentos ultrapassam os conflitos comuns de uma relação. “Muitas vezes, a violência psicológica começa de forma sutil e vai sendo naturalizada. A mulher pode passar a questionar o que sente, a própria capacidade de tomar decisões e até acreditar que está exagerando diante de situações que, na verdade, estão causando sofrimento”, explica.
Entre essas práticas está o chamado gaslighting, forma de manipulação na qual a percepção, a memória ou os sentimentos da outra pessoa são repetidamente invalidados. Com o tempo, situações desse tipo podem comprometer a autoestima, a autonomia e a confiança da mulher em si mesma.
“Quando existe um padrão de controle, desqualificação e manipulação, é importante observar como aquela relação afeta emocionalmente a pessoa. Sentir-se constantemente diminuída, culpada, insegura ou com medo de se posicionar são sinais que merecem atenção”, destaca Niliane.
Os impactos podem se refletir em diferentes aspectos da vida, interferindo nas relações sociais, no trabalho, na autoestima e no bem-estar emocional. O isolamento também pode tornar mais difícil reconhecer a situação e buscar apoio.
Para a psicóloga, falar sobre violência emocional durante o Agosto Lilás contribui para ampliar a compreensão sobre as diferentes formas de violência contra a mulher. “Informação também é uma forma de proteção. Quanto mais conseguimos reconhecer comportamentos abusivos e compreender que violência não é apenas física, maiores são as possibilidades de interromper ciclos prejudiciais e buscar uma rede de apoio”, conclui.












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