“Os movimentos antivacinas são completamente maléficos à saúde pública e irracionais”, alerta Adriano Oliveira.

Quase um ano após o início da pandemia de Covid -19, as vacinas já são uma realidade e parte da população ainda tem muitas dúvidas sobre a segurança delas. De acordo com o infectologista Adriano Oliveira, que atua na linha de frente no combate à pandemia desde o seu início, as vacinas são seguras e efeitos adversos graves não foram associados a nenhuma das que estão em estudo ou que já estão sendo usadas no Brasil. O médico é titular da Sociedade Brasileira de Infectologia. “Reações como dor e vermelhidão locais são normais imediatamente após qualquer vacina”, explica o médico. “Reações como febre que podem aparecer até 48 horas após receber a vacina podem ser consideradas um bom sinal, pois quando a vacina ativa o sistema imunológico pode surgir febre”, acrescenta.

De acordo com o especialista, as vacinas contra Covid-19 causam poucos efeitos adversos. “Historicamente, os efeitos associados a qualquer vacina podem acontecer, no máximo, até o primeiro mês após a sua aplicação. É muito reduzida a chance de uma vacina causar problema anos depois”, explica Adriano Oliveira. Segundo ele, “o risco de ser contaminado pelo novo coronavírus é muito maior que o risco de complicações associadas à vacina. O benefício associado à vacinação é inquestionável!” O médico cita como exemplos a vacina que erradicou do planeta a varíola, doença que causou muitas mortes no passado, e a vacina contra poliomielite, que conseguiu erradicar a paralisia infantil no Brasil.

Segundo o especialista, a resistência às vacinas já é algo histórico e é fruto de preconceitos e falta de informação. “Infelizmente há um movimento que dissemina informações falsas, equivocadas, opiniões pessoais sem nenhum fundamento cientifico, pseudociência e pseudoconhecimento”, afirma.

“A melhor forma de ter informações verdadeiras é buscar fontes confiáveis e especializadas ao invés de acreditar e repassar informações de má qualidade e opiniões pessoais de leigos que são lançadas na internet e, muitas vezes, são disseminadas por todo o mundo”, esclarece o médico. O especialista cita os canais das sociedades médicas, como a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), como fonte segura para a busca de informações.

O infectologista esclarece que antes da pandemia já havia um empenho enorme da ciência para o desenvolvimento de imunizantes com tecnologias diferentes e inovadoras, como a do RNA, que usa o próprio sistema imunológico para se defender do vírus. Isso ajudou a acelerar o processo diante da urgência da pandemia. “Se fosse no passado, seria diferente, mas com todos os avanços dos tempos atuais, a ciência conseguiu dar uma resposta muito rápida. Importantes centros de pesquisa no mundo se uniram para o desenvolvimento de vacinas e contaram com a ajuda de vários países e instituições de saúde para a realização de estudos clínicos multicêntricos, além dos voluntários no mundo todo que foram essenciais para a conclusão da fase III dos estudos das vacinas”, explica Adriano Oliveira.

“Ainda não sabemos quanto tempo a resposta imunológica das vacinas vai durar, essa pergunta será respondida pelo tempo. Diante do cenário e da urgência, os centros que desenvolveram vacinas se preocuparam em assegurar que elas fossem primariamente seguras e eficazes. E isso elas são”, explica.

Novas variantes

Segundo o infectologista, vários estudos ainda estão sendo realizados para dimensionar o impacto dessas novas cepas nos imunizantes. “É possível que algumas vacinas tenham sua eficácia reduzida, mas isso não invalida esses imunizantes”. No entanto, alerta o médico, se novas cepas continuarem surgindo, os imunizantes podem perder a eficácia e os avanços no combate à doença conquistados até agora podem ser perdidos. Isso exigirá a criação de versões atualizadas das vacinas para cada cepa resistente que aparecer, assim como acontece com a vacina para a influenza.

“A medida em que o vírus é transmitido ele vai sofrendo pequenas mutações em seu código genético, por isso quanto mais ele circular, maior a possibilidade de que surjam novas cepas”, explica Adriano Oliveira. “Não podemos deixar o vírus circular livremente, pois isso acarretará o surgimento de novas mutações e o controle da pandemia ficará mais difícil”, afirma o médico.

As mutações do Sars-CoV-2 abrem espaço para as reinfecções. Conforme os critérios estabelecidos pelo Ministério da Saúde, a reinfecção pelo novo coronavírus (Sars-CoV-2) pode ser confirmada quando a pessoa apresenta dois testes positivos de RT-PCR em tempo real e com intervalo igual ou superior a 90 dias entre as duas testagens.

Prevenção

“A pandemia ainda não acabou, é importante que as pessoas, mesmo as que foram vacinadas, mantenham os cuidados com a higiene, uso de máscaras adequadas, lavagem das mãos e distanciamento social”, orienta o infectologista. O médico também lembra que após a aplicação da vacina, o sistema imunológico leva semanas para produzir anticorpos neutralizantes

“Hidratar-se, ter uma alimentação saudável, praticar atividade física regularmente, dormir bem, evitar consumo excessivo de bebidas alcóolicas, não fumar e controlar o estresse são medidas que colaboram para manter a imunidade”, recomenda Adriano Oliveira.