Combinação de medicamentos demonstra bons resultados no tratamento dos casos graves de Covid-19, afirma especialista

Um medicamento anti-inflamatório intravenoso tem sido usado com resultados promissores em pacientes hospitalizados com a forma grave da Covid-19. Trata-se do tocilizumabe, medicamento para artrite reumatoide, que pode reduzir o risco de óbito nos quadros graves da doença. De acordo com o ensaio Recovery, da Universidade de Oxford, a droga é capaz de diminuir o tempo de internação, a necessidade de ventilação artificial e, consequentemente, reduzir o risco de morte. O Recovery é o maior ensaio clínico mundial para testar a eficácia de potenciais tratamentos para os casos do novo Coronavírus, no Reino Unido.

“A indicação do medicamento para Covid ainda é off label (fora da bula), mas tem demonstrado resposta importante no tratamento dos quadros graves, especialmente quando combinado com anti-inflamatórios esteroides ou corticosteroides, como dexatamesona”, explica o infectologista Adriano Oliveira, que atua na linha de frente do combate ao Covid-19 desde o início da pandemia.

O estudo inglês avalia que a combinação do tocilizumabe e da dexametasona pode diminuir a quase metade o risco de morte em pacientes que precisam de ventilação mecânica invasiva e em um terço para aqueles em uso de oxigenação simples de suporte.

Para o infectologista, o Reino Unido tem sido um exemplo no combate à pandemia. “Além de ser o país da Europa com a maior taxa de vacinação, pesquisadores de instituições como Imperial College e Universidade de Oxford têm apresentado pesquisas importantes com dados científicos muito consistentes”, afirma Adriano Oliveira.

O mesmo estudo Recovery concluiu que tratamentos com a hidroxicloroquina para pacientes com Covid-19 eram ineficazes.

“Embora ainda não haja nenhum medicamento especifico para a Covid-19, a pratica clínica validada por algumas pesquisas tem evidenciado caminhos que podem ajudar a salvar vidas”, afirma Adriano Oliveira.

A contaminação pelo novo Coronavírus pode ser assintomática, pode apresentar sintomas leves ou moderados ou pode evoluir para quadros graves e até letais. A Covid-19 promove uma replicação viral que pode evoluir para um processo inflamatório severo, que acomete os pulmões, causando insuficiência respiratória, e podendo causar até comprometimento sistêmico.

“Os pacientes em estado grave desenvolvem hipercitocinemia ou Síndrome de tempestade de citocinas, que pode levar a letalidade. O uso combinado desses medicamentos impede esse processo inflamatório sistêmico e bloqueia a tempestade de citocinas”, explica Adriano Oliveira.

Apesar de indicativos promissores, nem todos podem se beneficiar do tratamento com tocilizumabe. A Organização Mundial de Saúde tem revisado vários estudos feitos com a droga para esclarecer quais os pacientes infectados pelo novo Coronavírus que podem, de fato, ser beneficiados com a indicação dessa substância.

“Nenhum paciente deve recorrer a automedicação, a indicação desses fármacos deve ser feita criteriosamente pelo médico, que vai avaliar benefícios e riscos para cada caso”, explica o infectologista.

O tocilizumabe é um medicamento de uso intrahospitalar e de alto custo. Segundo o médico, “infelizmente tem faltado nas redes hospitalares, uma vez que todo o planeta passou a usar simultaneamente”. O laboratório farmacêutico que produz o tocilizumabe (Roche) já lançou um documento no qual se compromete a intensificar a produção do mesmo.

Gabriela Bandeira
Comunicativa, antenada e com atuação há mais de 16 anos na área de assessoria de comunicação, Gabriela Bandeira é jornalista formada pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com curso de extensão na Universidade de Jornalismo de Santiago de Compostela (Espanha). Em 2019, reuniu toda a sua experiência e expertise em comunicação estratégica e conteúdos digitais, com atuação há mais de 12 anos no segmento de shopping center, e abriu a própria agência: a Comunicando Ideias. Filiada à Associação Brasileira de Agências de Comunicação (ABRACOM), possui alcance na Bahia e outros estados do Nordeste.